Não é uma ideia que me tenha passado pela cabeça há pouco tempo. Tem sempre habitado por cá. Nos últimos dias tenho é concretizado pensamentos/pesquisas sobre isto, que não deixa de ser um daqueles sonhos, daqueles que a maioria tem e que a maioria vai tentando concretizar. Vamos ver no que dá... Mas o entusiasmo é mais que muito. Resta saber se o esforço/investimento valeria mesmo a pena em termos concretos=trabalho na área ;)
P.S.: O meu fim-de-semana começa... no domingo, já bem depois do almoço... Vim agora de um sarau cultural (foi mesmo só o tempo de vir aqui ver a chave do euromilhões hehe), amanhã o dia todo e domingo de manhã formação bv, no domingo às 14h00 jogo de andebol em Leiria e quero ver se depois de chegar a casa, durmo uma sesta e pego na papelada do CAP buuuu
sábado, 13 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Vinicius de Moraes
Hora Íntima
"Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: - Nunca fez mal...
Quem, bêbedo, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: - Rei morto, rei posto. . .
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: - Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cais
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: - Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: - Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores ?"
"Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: - Nunca fez mal...
Quem, bêbedo, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: - Rei morto, rei posto. . .
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: - Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cais
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: - Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: - Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores ?"
terça-feira, 9 de março de 2010
Ornatos Violeta
Apesar do reconfortante Sol com que o dia de hoje nos brindou, a vida anda uma dureza: cansada, atarefada, desmotivada, nostálgica e, ontem à noite, com uma aura de algum desespero, são alguns dos adjectivos presentes. Bolas...
domingo, 7 de março de 2010
Gato Fedorento - Lopes da Silva - Bué Fixe
Este sketch é brutalmente cómico!!! E adequa-se na perfeição ao nome de baptismo do meu blogue hehe
Laurinda Alves & Londres
Tirei, por empréstimo!, estas duas imagens do blogue da Laurinda Alves. Admiro-a bastante e acompanho com relativa regularidade o seu blogue. Por estes dias, ela anda em trabalho por Londres e tem colocado um verdadeiro acervo de recuerdos de lá. De todos os que postou, elejo estes dois. A fotó acima é de Londres, a de baixo é de Leeds. Bonitas, não são? Mas o motivo principal porque as postei tb eu aqui é porqe tenho uma paixão por Inglaterra e por algmas características daquele país e dos seus habitantes. O serem "enxutos" e terem uma postura muito mais desportiva/saudável/actual da vida é uma delas. E claro que não gostaria de morrer sem ir até lá. Vamos ver ;)sexta-feira, 5 de março de 2010
Ó pastorinha de vitral e bruma
Enquanto aguardo que as peças que compus fiquem disponíveis, de modo a poder terminar a semana de trabalho (:///), oiço a deliciosa "Linda Rosa" da maria Gadú "nesta sala branca" e anoto alguns trechos do último texto de António Lobo Antunes na "Visão". Alguns dos melhores que li até hoje... (Quem puder, leia na totalidade)
...
"(...) mas alguma parte minha deve ter saudades desse tempo porque sinto a falta de qualquer coisa que não sei exprimir, qualquer coisa leve e doce, um contacto, palavras, cheiros, uma espécie de ninho, de que fosse o ovo feliz, um ovozito de nada, pintalgado, minúsculo.
...
Ó pastorinha de vitral e bruma
Que sobre mim a tua graça entornes
...
e, ao repetir esses versos, a minha mãe iluminava-se, de tão feliz. Nunca o disse mas estou seguro de haver sido o que de mais bonito lhe aconteceu na vida (o meu pai nem sequer tocava ao entrar em casa) e que, toda a sua existência, este episódio a acompanhou. e acompanha ainda, como uma lâmpada secreta. De quando em quando, recito-lhe poemas de António Sardinha.
...
e ela, de pálpebras descidas, a sorrir. Este episódio, quando aminha mãe era pouco mais que uma criança, ficou-lhe para sempre na alma, e o tal estudante tornou-se como que o halo de um ideal que não chegou a viver. Trazia uma assinatura por baixo, contava ela, mas o teu avô apagou-a, e a lembrança da assinatura apagada emsombrecia-a. A voz tornava-se-lhe mais lenta
-Nunca soube quem era
e depois vieram muitos filhos, desgostos, o casamento com um homem difícil, meia dúzia de coisas boas, espero, e as palavras de António Sardinha a mostrarem-lhe o que devia existir e não viveu nunca
...
um estudante que a ajudou a sonhar anos e anos
...
Deixa cair dos lábios de medronho
A perfumada voz do nosso sonho
Mas tão baixinho que só eu entenda
...
Como seria ele, não é mãe?
...
Vejo-te assim, ó asa de ansorinha,
Com ar de infanta que perdeu a aia
Envolta nessa luz que te acarinha
Na luz que desfalece e que desmaia.
Sabe , não se preocupe, continua a ser a pastorinha de vitral e bruma, a palpar o caminho quase cega, ou numa cadeira da sua saleta, à espera de nada. Ou, então, na esperança oculta que o estudante que comprou o retrato na loja, lhe chame, ao ouvido, pastorinha de vitral e bruma e os seus olhos tornem a ver, os membros difíceis se desatem, não precise de remédios nem de médicos para nada e, envolta numa luz que acarinha, se dirija não sei para que sítio, onde um júbilo sem manchas a espera. De uma das últimas vezes que perguntei
-Como se sente?
uma espera difícil
-A desfazer-me aos bocados
e, palavra de honra, tive ganas de ser eu o estudante (...) nesse caso, percebe, podia pegar-lhe na mão, nessa mão que é minha entornava a sua graça sobre mim e partíamos os dois
...
Claro que sou apenas seu filho: mas talvez que se lhe doer a boca de me dar beijos valha a pena. Guardo alguns no bolso pra o caso do rapaz que comprou a fotografia aparecer. Então entrego-lhos
-A minha mãe manda isto
e aposto que os seus olhos, por um momento que seja, o conseguirão ver, enquanto eu fico, um pouco à parte, tão comovido com a sua beleza, a repetir não para si, mas para mim
Se eu te pintasse posta na tardinha
Pintava-te num fundo cor de olaia
e nunca mais ninguém a torna triste."
...............................................................................................
P.S.: Daqui a, espero, não muitos minutos aguarda-me um banhinho quente, uma sopinha que a minha mãe fez e o DVD do "O Feiticeiro de Oz" (Quero ver a magia dos sapatos vermelhos que marcam a Rita Redshoes ;)). Depois, um sábado cheio, mas um domingo calmo, tanks God :)
...
"(...) mas alguma parte minha deve ter saudades desse tempo porque sinto a falta de qualquer coisa que não sei exprimir, qualquer coisa leve e doce, um contacto, palavras, cheiros, uma espécie de ninho, de que fosse o ovo feliz, um ovozito de nada, pintalgado, minúsculo.
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Ó pastorinha de vitral e bruma
Que sobre mim a tua graça entornes
...
e, ao repetir esses versos, a minha mãe iluminava-se, de tão feliz. Nunca o disse mas estou seguro de haver sido o que de mais bonito lhe aconteceu na vida (o meu pai nem sequer tocava ao entrar em casa) e que, toda a sua existência, este episódio a acompanhou. e acompanha ainda, como uma lâmpada secreta. De quando em quando, recito-lhe poemas de António Sardinha.
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e ela, de pálpebras descidas, a sorrir. Este episódio, quando aminha mãe era pouco mais que uma criança, ficou-lhe para sempre na alma, e o tal estudante tornou-se como que o halo de um ideal que não chegou a viver. Trazia uma assinatura por baixo, contava ela, mas o teu avô apagou-a, e a lembrança da assinatura apagada emsombrecia-a. A voz tornava-se-lhe mais lenta
-Nunca soube quem era
e depois vieram muitos filhos, desgostos, o casamento com um homem difícil, meia dúzia de coisas boas, espero, e as palavras de António Sardinha a mostrarem-lhe o que devia existir e não viveu nunca
...
um estudante que a ajudou a sonhar anos e anos
...
Deixa cair dos lábios de medronho
A perfumada voz do nosso sonho
Mas tão baixinho que só eu entenda
...
Como seria ele, não é mãe?
...
Vejo-te assim, ó asa de ansorinha,
Com ar de infanta que perdeu a aia
Envolta nessa luz que te acarinha
Na luz que desfalece e que desmaia.
Sabe , não se preocupe, continua a ser a pastorinha de vitral e bruma, a palpar o caminho quase cega, ou numa cadeira da sua saleta, à espera de nada. Ou, então, na esperança oculta que o estudante que comprou o retrato na loja, lhe chame, ao ouvido, pastorinha de vitral e bruma e os seus olhos tornem a ver, os membros difíceis se desatem, não precise de remédios nem de médicos para nada e, envolta numa luz que acarinha, se dirija não sei para que sítio, onde um júbilo sem manchas a espera. De uma das últimas vezes que perguntei
-Como se sente?
uma espera difícil
-A desfazer-me aos bocados
e, palavra de honra, tive ganas de ser eu o estudante (...) nesse caso, percebe, podia pegar-lhe na mão, nessa mão que é minha entornava a sua graça sobre mim e partíamos os dois
...
Claro que sou apenas seu filho: mas talvez que se lhe doer a boca de me dar beijos valha a pena. Guardo alguns no bolso pra o caso do rapaz que comprou a fotografia aparecer. Então entrego-lhos
-A minha mãe manda isto
e aposto que os seus olhos, por um momento que seja, o conseguirão ver, enquanto eu fico, um pouco à parte, tão comovido com a sua beleza, a repetir não para si, mas para mim
Se eu te pintasse posta na tardinha
Pintava-te num fundo cor de olaia
e nunca mais ninguém a torna triste."
...............................................................................................
P.S.: Daqui a, espero, não muitos minutos aguarda-me um banhinho quente, uma sopinha que a minha mãe fez e o DVD do "O Feiticeiro de Oz" (Quero ver a magia dos sapatos vermelhos que marcam a Rita Redshoes ;)). Depois, um sábado cheio, mas um domingo calmo, tanks God :)
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