domingo, 15 de abril de 2012

Perfume

Não, não vou falar da banda de música :)

Esta manhã tomei banho com um gel duche com leite e mel. Depois de uma manhã de Domingo calma e de uma tarde um pouco atarefada, vesti há pouco uma camisola interior quase acaba de tirar do arame. Apesar de já me apetecer, e como, estar a postos para dormir, ainda tenho aqui uma horita (ou mais) de trabalho ao pc.... Eis que, de repente, e impulsionado pelo aquecedor que tenho ligado aqui à minha direita, sinto um aroma diferente. Esta mistura de gel de banho, de roupa lavada e dos locais por onde passei hoje, fizeram subir-me ao nariz um perfume igual ao teu. Um perfume doce, como doces e efémeras foram aquelas duas semanas de Julho. O teu cheiro, bolas. E com ele, as recordações vêm todas não à lembrança, porque da lembrança ainda não as consegui tirar, mas vêm a modos que quase a sair pelos olhos, pela boca. As lembranças com as quais me ocupei no caminho de regresso de mais um jogo de andebol (desta vez na Batalha) e as mesmas lembranças que me acompanham todos os dias. E sempre a mesma pergunta: Porque raio é que o universo não conspirou para que, hoje, pudéssemos ser um só?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Intitulável

A morte é, para mim, o mais insondável e profundo mistério da vida. O que acontece aos que vão, o sofrimento íntimo dos que lhes são mais chegados, a comoção inerente a todo o ritual (que, também na minha opinião, no caso do Cristianismo, são imensamente dolorosos).

Hoje foi a sepultar mais um camarada dos BV. Na casa dos 50 anos. Algo repentino, que pode acontecer a qualquer pessoa, em qualquer lugar.

O som choroso da sirene é... de arrepiar a alma. Num espaço de... 5 meses talvez, é o terceiro. A proximidade não era mais que muita, mas era um camarada, que sempre sorria quando apertávamos a mão.

Deixa dois filhos, rapazes já criados, ou melhor, na recta final da criação. E uma mulher, que caminhava amparada por mãos amigas, de cabeça erguida, mas com um olhar de bradar aos céus.

Minha nossa, isto toca-me mesmo fundo. E está muito fresco. Por isso mais sentimental. Um desabafo virtual, necessário.

É um chavão, mas... tentemos nós que por cá ficamos valorizar a vida, valorizar as pessoas e sermos felizes, fazendo felizes os outros.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Bela Flor



Faz hoje um ano, tinha comprado o mais recente da Maria Gadú há poucos dias. E foi neste mesmo dia que aconteceu uma tragédia, e que se foi uma miúda catita, de sorriso contagiante.

Escrevi aqui na altura que era mais nova do que eu e de que eu não tinha uma afinidade propriamente dita com ela. Convivíamos apenas no contexto de uma actividade extra-laboral para ambas.

E foi nessa madrugada que, por causa de um acidente estúpido, de alguém ainda mais estúpido e irresponsável, que ela, a Joana, deixou todos os que a amavam. Dias depois um outro moço do grupo de amigos, viria a falecer também, devido ao mesmo acidente. Mais uma 3ª pessoa em estado grave (que recuperou) e mais uns feridos ligeiros. Um dia trágico.

Sempre que oiço esta música, e outras da Maria Gadú, lembro-me dessa semana horribilis. Continuo a gostar da música, apesar de ela ter marcado uma realidade difícil de aceitar. Às vezes ainda me dou a abanar a cabeça, pensando ter-se tratado de um sonho infeliz. Há uns meses, cheguei a passar no cemitério, anónima, e deixei umas flores brancas. Não tenho a certeza se era a campa dela, porque na cerimónia, fiquei um pouco afastada e ainda não havia identificação. Deixei numa que tinha algo que me fez ter a certeza quase absoluta de que se tratava do mesmo local. Tinha um coração vermelho "desenhado" com umas pedrinhas.

O coração da irmã mais nova dela, que é um amor de miúda;
O coração da mãe, cuja imagem magra e destroçada não mais me saiu da cabeça;
O coração do pai, que possivelmente tentará ser um muro de força exterior, mas cujo interior se fez em cacos.

De certeza que a Joana olhará por eles, nesta altura.

domingo, 8 de abril de 2012

Os Descendentes


Hoje à tarde fui ao cinema. Aqui na vila, já não ia há algum tempo. Nomeadamente por falta dele, do tempo... O bilhete custrou-me 1,75 euros (com um desconto x incluído). Soube bem a meia borla, nesta tarde calma de Domingo.

Apesar de o filme ter sido bastante falado, especialmente na altura dos Óscares, não achei a história por aí além. Ainda assim dois pormenores a assinalar:

1- Na recta inicial do filme, o grelo do George, na história um homem muito bem na vida, pela profissão e por heranças, diz que o pai dele lhe havia dito a certa altura: Devemos dar aos filhos tudo para que possam fazer alguma coisa, mas não tudo para que não tenham de fazer nada. Muito, muito bem visto e dito.

2- Apesar de, na minha opinião, não ser uma história por aí além, gostei de sair da sala, a passo lento, e de demorar uns quantos minutos a sair totalmente da história.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

1984



Esta música já tens uns poucos anos, quase tantos quanto eu. Comecei a ouvi-la na penúltima novela da SIC. Adorei-a desde o início. Às vezes, tenho a impressão de que vivi noutro tempo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Café


Esta foi a "melhor" imagem que encontrei para ilustrar a mesa concreta que hoje, e num qq dia da semana passada, me sentei para tomar o descafeinado depois do almoço. Ali fiquei, sozinha, com o café, o copo de água e um jornal. De vez em quando olhava para a rua, mirando a rotina de um jovem que regressa ao trabalho, de um idoso no seu andar pachorrento e tantas outras que, apesar de viver numa vila, passam e passam e voltam a passar. Em especial nesta altura de Sol e de Primavera, em que julgo não ser só seu, de um modo geral todos nos sentimos com uma energia algo revigorada (não vou tecer comentários quanto à importância da chuva por estes dias e pelo céu lastimoso que se vê aqui, com o reacendimento do fogo vizinho), dizer que me soube bem é apelido. Foram pausas maravilhosas.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Nutricionista

Devido a um ligeiro (cerca de 5 Kg) aumento de peso nos últimos 4 meses, mais coisa menos coisa, e por achar que devo tratar disto já, fui ontem a uma nutricionista, pela primeira vez. Mais do que uma qualquer "panca" ou obsessão com a imagem, o objectivo passa por ter mais atenção com a alimentação, especialmente numa idade em que o metabolismo começa a ser diferente e em que, tendencialmente, será mais "difícil" recuperar destas oscilações.

Lá fui então, saindo com 6 refeições diárias e o objectivo de daqui a 15 dias passar dos 63,5 para os 61,5. O meu objectivo final, corroborado pela profissional com quem estou e em consonância com a minha altura - 1,58m, são os 58 Kg.

Parece que em cada sítio o método é diferente. No meu caso, não há cá medicamentos nem cenas maradas. "Apenas" esta atenção às 6 refeições, caminhadas diárias, muita água. E tudo mais facilitado pelo facto de eu gostar de todos os alimentos e adorar aqueles que me fazem melhor (apenas nem sempre calha, comê-los...), como sejam a fruta, a salada, a sopa, etc.

Ajustado com o meu dia-a-dia, passarei então a:

- 7h00: pequeno-almoço composto por um pão de centeio ou de mistura com queijo (privilegiámos o queijo nestas 2 semanas) + iorgurte magro ou copo de leite;

- 10h00: pêra ou maçã [evitar a banana..] + 3 bolachas Maria ou 1 tosta integral ou 1 "galete" (aquelas cenas de arroz tostado, com sabor a pipoca, mas mais ensonso!;

12h30: ao almoço, ter basicamente atenção às doses que ponho no prato... peixe ou carne (de preferência branca) [1/4 do prato] + massa ou arroz ou batata [1/4 do prato]  + salada ou hortaliça [1/2 do prato] .

15h30/16h00: 1 iogurte magro + 1/2 pão com queijo

18h00: 1 peça de fruta (maçã ou pêra) + 3 bolachas maria ou a galete ou a tosta

20h00: sopa + fruta. Esta sopa tem uma base mais "fixa", composta por cabeça de nabo, courgette, alho francês, cenoura e batata, a que depois se junta hortaliça e azeite (depois de pronta). Aqui "albrado" um bocado. Por exemplo, ontem comprei abóbora em vez de batata.. Mas é uma batota que não faz mal :)

Apesar de não ser algo muito rígido, espero que esta pequena rigidez não me tire o entusiasmo. Acho que não vai ser difícil de cumprir. Vamos ver o resultado :)

terça-feira, 27 de março de 2012

Leonel

Estás prestes a ser o funeral de um jovem de 49 anos, natural de Ansião e de uma aldeia - a Constantina - que me é muito especial e que faz parte da minha vida, da minha infância e de mim. Chamava-se Leonel e, nos últimos meses, lutou contra um cancro injusto, como o são todos os cancros. Uma jornada que ontem o adormeceu para a eternidade. O pai dele já tinha falecido precocemente há uns anos, deixando uma viúva simples e lutadora com 2 filhos para cuidar. Foi essa simplicidade e essa luta que deixou ao filho e são esses dois adjectivos que nos fazem e farão recordá-lo. Não era muito próxima dele, até porque a sua vida profissional e familiar era lá longe, em Braga. Foi lá que construiu uma carreira e uma vida cheia de predicados, que sempre lhe foram reconhecidos. O maior deles, foi exactamente a humildade. Foi sempre isto que ia ouvindo da minha mãe, que o conhecia melhor, nomeadamente pelo convívio em lides políticas. E, de facto, era isto que transparecia nos "olás" que ia dando e no cumprimento doce que, há uns meses (ainda ele não sabia da doença, ou se sabia era há pouco tempo), me deu, assim como às outras pessoas na sala, num contexto comum de trabalho.

Fui ali fora há pouco e vi um senhor das irmandades, que acompanham os funerais nestas ocasiões. E pus-me a pensar como é que estas pessoas mais velhas vêem partir as outras pessoas, em especial as mais novas.

Penso na mãe, que é irmã de uma tia minha. Que, nos últimos meses, tinha espelhado na cara o sofrimento de que daria tudo para ficar com a dor do filho. Cuja doença foi fragilizando mais e mais, até ontem. Volta a sentir na pele a partida de um ente querido, anos depois de se ver sozinha a criar os 2 filhos rapazes.

A bandeira aqui na Vila está a meia haste. E eu vou manter os auscultadores nos ouvidos, para evitar ouvir hoje, pela segunda, o som dos sinos, que tanto me atormenta a alma. Podia ir à missa, pois podia, mas hoje escolho não ir. Este ritual é sufocante para o que ficam e, em especial, para a família enlutada. Esta é a minha pequena homenagem e aqui fica o meu respeito e admiração pelo Leonel. Apesar de ser um estimado Professor Doutor, será para sempre recordado como o Leonel da Constantina, com o seu sorriso simples, mas tão revestido de tudo.

É sempre triste ver partir uma Pessoa, qualquer que ela seja, com defeitos e virtudes, como todos temos. Mas essa tristeza eleva-se ao quadrado, quando se trata de uma Pessoa Boa e Justa, a quem a doença não doeu tréguas. E foi despindo, a cada dia, fazendo da sua imagem apenas uma recordação...