quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
O dia
A turbulência de que aqui dei apenas ténue nota em postas anteriores amainou um pouco, felizmente. Outras virão, até lá que usufruamos da bonança :)
Entrett mais uma noite de serv ontem, em que lidei mais uma vez bem de perto com a morte. Não tão traumático como Aquele episódio marcante, mas nunca é fácil de digerir. Continuo a sentir-me bem por poder dar um pouco de mim a ajudar os outros, apesar destas situações. Mas tem de haver sempre alguém para lidar com elas, não é verdade. Por mais que a morte seja medonha, nos assuste, é assim mesmo que todos acabamos....
Hoje um dia atolhado de trabalho, como sempre (e ainda bem), mas bem gerido e quase na recta final. Acho que me vou baldar outra vez à hidro, buscar alguma coisa para comer e refastalar-me no meu canto, bem quentinha e sossegada.
Ao final da tarde de hoje, mais uma entrevista janota. Aprendi alguma técnica nos estudos, mas não haja dúvidas que a sensibilidade pessoal fazem a diferença. Modéstia aparte, continuo a agradacer diariamente o privilégio de poder trabalhar junto de pessoas comuns, de poder partilhar e guardar para a posteridade bocadinhos de vidas. Gosto, gosto, gosto, mil vezes gosto.
Às vezes fico em baixo, outras vezes põem-me em baixo. Mas, no final de contas, sou abençoada e se julgo não ser feliz, tenho a certeza de ter belos e prazeirosos momentos de felicidade.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Baby-time
Às vezes, gosto de rever fotós antigas. Por norma, gosto sempre, mas quando as marés são/estão menos amenas apetece olhar para a nossa vida, para o nosso presente, passado e futuro com outros olhos. Estava há pouco a guardar uma outra fotó na pasta "Infância" e revi esta imagem, do meu baptizado. Nela, as duas pessoas mais importantes da minha vida - a minha mãe e o meu pai (um pequenito traço de perfil ali do lado esquerdo. Depois eu, em altas a curtir a vela e tudo e tudo e tudo :) Depois duas outras pessoas muito próximas dos meus pais, mas cuja vida acabou por afastar... moralmente, digamos assim. Os meus padrinhos. Do lado esquerdo, a minha madrinha Isménia, vê-se só memso um bocadinho da cara. E o meu padrinho Soares, descendente directo de indianos. Julgo que o fascínio que tenho pelo país/povo deve, de certezinha, vir muito dos fins-de-semana que costumavam passar connosco, quando vinham de Lx no seu Mercedes banheira branco e a cadelita com a "camisola" de malha. É também uma memória quentinha. E pronto. É isto.
Vidas...
Dias difíceis, estes últimos... "A vida é bela, nós é que damos cabo dela" lol
Neste caso em particular, julgo que eu não dei cabo de nada, mas não tenho dúvidas que serei eu, possivelmente, a única, que está a tentar recolher e colar cacos alheios. É o meu karma...
Em breve, devo voltar a uma psicóloga. Pelo menos terei uma primeira consulta num novo local, para ver como é que a coisa funciona. Procurei porque vai fazer-me bem FALAR e, espero, ter alguns momentos de reflexão sobre como este barco (o meu e o dos outros RRRsss) pode ser levado a bom porto, ou a um porto menos turbulento....
Neste caso em particular, julgo que eu não dei cabo de nada, mas não tenho dúvidas que serei eu, possivelmente, a única, que está a tentar recolher e colar cacos alheios. É o meu karma...
Em breve, devo voltar a uma psicóloga. Pelo menos terei uma primeira consulta num novo local, para ver como é que a coisa funciona. Procurei porque vai fazer-me bem FALAR e, espero, ter alguns momentos de reflexão sobre como este barco (o meu e o dos outros RRRsss) pode ser levado a bom porto, ou a um porto menos turbulento....
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Avó
Acordei hoje com a sensação de que é um dia em que aconteceu algo importante. E é verdade. Faz hoje 11 anos que, estava eu na ESEC, após ter tido uma frequência, e tinha chamadas da minha mãe. Ainda bem que só confirmei o assunto depois de sair. Lembro como se fosse hoje e lembro-me de pensar, à primeira, que se tratava do meu avô. Mas não era a minha avó. Deixou-nos há 11 anos.
Lembro-me que tinha ido na carrinha do meu pai e que vim sozinha, com uam dor de cabeça daquelas que as más notícias nos provocam. Lembro-me de ver o meu irmão mais velho a limpar uma lágrima teimosa (daquelas que nunca lhe tinha visto e nunca mais lhe vi) quando olhou para a minha avó deitada ali, naquele caixão sozinha e com o ar afável que sempre teve.
Nos últimos anos da vida dela, fui-me afastando porque ela esteve em diversos lares, infelizmente. O último dia em que lhe toquei estava ela internada no hospital de Alvaiázere. Lembro-me tão bem de lhe ter feito uma festinha na cara e de a ter sentido quentinha. Não sei o que disse nem sei se ela disse alguma coisa. Disso não me consigo lembrar.
Tenho uma sensação meio esquisita, porque há medida que os anos vão passando, ela vai ficando uma memória cada vez mais longe na cabela, mas cada vez mais quente e funda no coração. É estranho explicar. O que sei é que gostava muito dela. Foi uma mulher que sofreu muito de pobreza e, depois, nas mãos do marido, o meu avô. Mas era tão boa mulher. Ensinou-me tanto. Deu-me tanto carinho. Fez-me tanto bem. Tenho tantas saudades. TANTAS.Queria tanto falar com ela, dormir nos lençóis de flanela. Comer uns carapaus quentinhos. Beber chá ou mokambo. NUNCA JAMAIS EM TEMPO ALGUM irei esquecer a MINHA avó Marquitas.
O tempo passa a correr. Quem sabe, não tarda, nos voltamos a ver.
Lembro-me que tinha ido na carrinha do meu pai e que vim sozinha, com uam dor de cabeça daquelas que as más notícias nos provocam. Lembro-me de ver o meu irmão mais velho a limpar uma lágrima teimosa (daquelas que nunca lhe tinha visto e nunca mais lhe vi) quando olhou para a minha avó deitada ali, naquele caixão sozinha e com o ar afável que sempre teve.
Nos últimos anos da vida dela, fui-me afastando porque ela esteve em diversos lares, infelizmente. O último dia em que lhe toquei estava ela internada no hospital de Alvaiázere. Lembro-me tão bem de lhe ter feito uma festinha na cara e de a ter sentido quentinha. Não sei o que disse nem sei se ela disse alguma coisa. Disso não me consigo lembrar.
Tenho uma sensação meio esquisita, porque há medida que os anos vão passando, ela vai ficando uma memória cada vez mais longe na cabela, mas cada vez mais quente e funda no coração. É estranho explicar. O que sei é que gostava muito dela. Foi uma mulher que sofreu muito de pobreza e, depois, nas mãos do marido, o meu avô. Mas era tão boa mulher. Ensinou-me tanto. Deu-me tanto carinho. Fez-me tanto bem. Tenho tantas saudades. TANTAS.Queria tanto falar com ela, dormir nos lençóis de flanela. Comer uns carapaus quentinhos. Beber chá ou mokambo. NUNCA JAMAIS EM TEMPO ALGUM irei esquecer a MINHA avó Marquitas.
O tempo passa a correr. Quem sabe, não tarda, nos voltamos a ver.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Não há pachorra

Cada vez tenho menos paciência para aturar gabarolas. Daquelas pessoas cuja conversa se resume a, de uma forma escorreita para quem fala (e desinteressante para quem ouve) se gabar de que conduz melhor do que todos os outros, de que sabe comportar-se melhor do que todos os outros, etc, etc, etc. Em suma, há pessoas que julgam definitivamente serem melhores do que os outros e se julgam uma espécie de senhores do seu minúsculo universo. Juro que não tenho pachorra. Cada vez gosto mais do meu canto, do meu trabalho, dos meus afazeres extra-laborais e, ACIMA DE TUDO, gosto de pensar por mim, sem ter necessidade de espalhar opiniões ou atitudes aos quatro ventos. E gosto de ter o bom-senso de não dizer tudo aquilo que penso. No caso deste post, escrevi e escrevo o que penso lol Enfim, sublinho este título, "Não há mesmo pachorra". À mínima chance, "ala que se faz tarde" :)
E agora, de volta aos resumos da imprensa diária, que o relógio não pára!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Broa
Esta manhã tornei realidade um pequeno-almoço que há muito tinha a vontade de replicar. Melhor do que comê-lo já a trabalhar, frente ao pc, só mesmo fazê-lo num futuro próximo e numa casa feliz.
Basicamente, a coisa funciona assim: Partem-se um pedaço de broa aos bocadinhos (que é como quem diz, "miga-se"!). A que escolhi foi de milho, mas pode ser qualquer uma. Com pão não fica com a magia que este pitéu tem :) Depois polvilha-se com um bocadito de açúcar (eu prefiro o branco, mas com amarelo tb é gajo de marchar!) e o toque final passa por regar - litealmente - este preparado inicial com café. Quem for leitor/a assíduo/a deste blogue saberá que é o Mokambo, pois claro!!!
Resta acrescentar que foi um regalo este repasto e que o mesmo faz parte daquelas recordações quentinhas que tenho da infância. O meu pai costumava comer isto de manhã, no tempo em que íamos os 5 no mesmo carro, para o mesmo local: as 3 crianças estudar e os 2 adultos trabalhar, na escola.
Espero voltar a fazer o pitéu :)
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Agência de viagens Pires :)
Após a minha viagem de Setembro e de actualizar fotós no Facebook, "descobri" tb no FB que o Bourough Market, um dos locais de que mais gostei em Londres, que por acaso calhou ficar nas redondezas do "meu" hostel, tb tinha mural. Tornei-me "amiga" e, desde então, é frequente ver fotós do espaço. É mt bonito e é basicamente um mercado com uma grande pinta inglesa e onde, para além do normal comércio dos mais variados produtos alimentares, há pequenas aulas ao vivo de cozinha. Hoje vi mais umas fotós e foi então que me deu uma vontade enoooorme de largar durante o tempo o meu trabalho nº 1, não largar o trabalho nº 2 (que pode ser basicamente feito em qualquer lugar do mundo, desde que tenha pc) e de partir em viagem durante um tempo, com inglaterra como destino lol
Talvez devesse pensar nisso mais aprofundadamente. Talvez não seja por acaso que, aparentemente, ainda não tenho nada que me prenda assim de uma forma mt profunda (falo em casa e em eventual companheiro = família)....
Para já, fica esta ideia a fermentar e entrett, em mais uma noite de serviço (que se espera tranquila), vou pesquisando naquela que se afigura como a minha segunda viagem a sós comigo! Mantenho o meu eixo Amesterdão e Copenhaga no horizonte. Também tenho interesse em conhecer Roterdão e, pelo que vi, fica só a uma horita de viagem de Amesterdão, pelo que seria mesmo de aproveitar a v olta. De resto, tb estou muitíssimo entusiasmada em conhecer zonas mais rurais, nomeadamente na Holanda. Talvez 3/4 dias mais acima, em Copenhaga (apesar de ser o destino mais longe, estou apostada em ser o primeiro poiso, aproveitando o balanço de início de viagem). Depois baixaria à Holanda.
Através do TGV teria bastante facilidade em comprar as viagens. E há uma coisa que adoro e que é verdadeiramente vantajoso para os viajantes: Haveria duas viagens nocturnas, p poupar tempo :)
A parte mais "trabalhosa", digamos assim seria, no caso de não conseguir comboio directo Hendaye-.Copenhaga, ter de fazer os seguintes percursos: Hendaye-Paris Montparnasse; (de metro) Montparnasse - Nord; "pegar" num 2º comboio Paris-Colónia; e depois um 3º (esse sim totalmente nocturno) Colónia-Copenhaga. Nada que me assuste!
E é isto, assim com calma, vai-se desenhando mais uma aventura no caminho....
Talvez devesse pensar nisso mais aprofundadamente. Talvez não seja por acaso que, aparentemente, ainda não tenho nada que me prenda assim de uma forma mt profunda (falo em casa e em eventual companheiro = família)....
Para já, fica esta ideia a fermentar e entrett, em mais uma noite de serviço (que se espera tranquila), vou pesquisando naquela que se afigura como a minha segunda viagem a sós comigo! Mantenho o meu eixo Amesterdão e Copenhaga no horizonte. Também tenho interesse em conhecer Roterdão e, pelo que vi, fica só a uma horita de viagem de Amesterdão, pelo que seria mesmo de aproveitar a v olta. De resto, tb estou muitíssimo entusiasmada em conhecer zonas mais rurais, nomeadamente na Holanda. Talvez 3/4 dias mais acima, em Copenhaga (apesar de ser o destino mais longe, estou apostada em ser o primeiro poiso, aproveitando o balanço de início de viagem). Depois baixaria à Holanda.
Através do TGV teria bastante facilidade em comprar as viagens. E há uma coisa que adoro e que é verdadeiramente vantajoso para os viajantes: Haveria duas viagens nocturnas, p poupar tempo :)
A parte mais "trabalhosa", digamos assim seria, no caso de não conseguir comboio directo Hendaye-.Copenhaga, ter de fazer os seguintes percursos: Hendaye-Paris Montparnasse; (de metro) Montparnasse - Nord; "pegar" num 2º comboio Paris-Colónia; e depois um 3º (esse sim totalmente nocturno) Colónia-Copenhaga. Nada que me assuste!
E é isto, assim com calma, vai-se desenhando mais uma aventura no caminho....
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Only Time
A esta hora, não estivesse eu em fase relativamente preguiçosa, estaria na aula de hidroginástica das terças-feiras. Ainda estive até ao limite a ver se ia, mas depois não me apateceu, definitivamente. Nem é tanto pelo frio, é pela moleza. Enfim...
Entrett, estive a acabar de fazer uma sopinha de legumes, que fumega neste instante aqui ao meu lado. Mais uns minutos e, já morninha, irei provar o pitéu. Sem falsas modéstias, eu "levo jeito" ;)
Depois de dar a última mexidela, dei uns passos até ao pé do meu pai na cozinha ao lado, a acender a lareira. Umas perguntas sobre as pinturas da cozinha (umas das divisões recentemente tomadas por um incêndio doméstico, felizmente sem estragos maiores do que umas boas limpezas e outras tantas doses de paciência lol). E tb para lhe perguntar qd precisava de ajuda para concertar o telhado do barracão (parcialmente partido após o temporal de dia 19). "Quando estiver o tempo melhor". Ao que contrapus: "Não vás para lá mexer naquilo sozinho", a que se seguiu um pachorrento "'tá bem".
E nestes breves instantes, pensei: não me lembro de algum dia ter dado um abraço ao meu pai. Devia dar-lho um dia destes. Imaginar esse acto, enche-me de amor. Porque é, na verdade, amor que sinto por ele. E pela minha mãe. Talvez o complexo de Édipo me faça julgar mais próxima do meu progenitor do que da progenitora. Julgo que isso é verdade, sem fazer decrescer o amor que sinto por qq um deles.
Aqui por estas bandas, sempre houve entraves comunicacionais, de modo que eu sinto x mas nunca falo disso. E outros podem sentir x ao quadrado mas tb não o dizem. É triste, porque tudo seria tão mais fácil falando. Diariamente vemos notícias tão tristes, umas mais perto (como o acidente aqui quase às portas de casa) outras mais longe (como no Brasil).
Não sei se algum dia lhes direi Espero ter essa coragem/humildade e outros subtantivos que tais. Espero que o saibam. Misturado com o meu trabalho, as minhas 1001 outras ocupações, as minhas preocupações, os meus traumas, os meus desejos, os meus projectos, os meus pais são as pessoas a quem eu quero mais bem nesta vida. Apesar de existirem estes muros entre nós, que nenhum dos lados se atreve a quebrar, nunca lhes irei faltar, quando eles precisarem de apoio, de companhia, de uma mão.
Se forem eles a partir primeiro do que eu, não vou ter coragem de os encarar quando o seu sangue não mais correr. De certeza que irei fugir para bem longe daqui. No meu íntimo, esse dia é aquele que eu mais temo, julgo que até mais do o "meu dia".
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