Descobri esta música hoje e gostei dela logo nos primeiros acordes. Ao ouvir até ao final, o que já aconteceu "bárias" vezes :), a confirmação: Se não transporta para o paraíso, transporta para algures lá muito perto. "Inspiration" da pura :)
Soube hoje que esta senhora faleceu há pouco tempo :(
Captei-a para a posteridade a primeira vez há cerca de dois anos, reparando na sua alegria contagiante numa festa sénior. Na postura ao alto dos seus braços, pronta para o bailarico e numa bela fotó, enquanto dançava com um senhor ao qual poderia chamar, literalmente, uma trave, dado que era quase o dobro do tamanho da senhora.
Voltei a captá-la ao Dezembro passado a propósito da festa de Natal da instituição onde passava os dias (não as noites). E não resisti a, para além da reportagem em si, disponibilizar online este excerto doce e espontâneo.
Toca-me agora de uma maneira mais nostálgica, por ter sabido da notícia esta manahã.
Mas tocou-me de imediato. Talvez pelas parecenças com a minha avó, que tb já não está fisicamente ao pé de mim. Pelos bocadinhos que esta senhora partilhou na entrevista. Pela vida dura que relatou ter tido. Pela relativa paz que alcançou nestes anos que passou no lar. Pela alegria contagiante. Pela pena que deixou em todos com quem conviveu diariamente. E em mim, que convivi pouquíssimo com ela.
Lamento ela ter partido e é impossível não lacrimejar. Mas, ao mesmo tempo, sinto orgulho em ter ficado este registo para a história. E no facto de diversas pessoas o poderem ver, para que, cada vez mais, possamos respeitar as pessoas que já viveram mais do que nós. Às vezes, julgamo-nos donos do mundo por passarmos por determinadas coisas, experiênciasm traumas (e estamos um pouco nesse direito, porque são experiências nossas e não dos outros!). Mas há TANTAS outras vidas para além da nossa.
Se me perguntarem o que menos gosto no meu local de trabalho, respondo - sem sombra de dúvida - que é o que acabou de acontecer há segundos: Ouvir o toque de finados :( Hoje não sei por quem toca, mas sei que é um ressoar que me entra no espírito de uma maneira muito profunda e pessoal... Aqui onde moro, já não tenho a certeza da correspondência, mas toca 2 vezes se for uma mulher e 3 se for um home, acho que é assim. É uma espécie de tradição triste, digamos assim. A igreja matriz é auqi a dois passos, de modo que, se não estiver ausente ou se não estiver com os auscultadores, não há forma de escapar. Do mesmo modo oiço quando são so funerais, mas nestes casos de "anúncios" ao vento de vidas que findaram é especialmente atroz para mim. E que vem de braço dado com aquela pergunta mórbida: "Quem morreu".
Haja um treino de andebol para distrair um pouco (espero que não me cheteie como aconteceu na sexta)
Haja uma aula de hidroginástica, para sorrir e (tentar) "desstressar"
Ora o que sucede é isto: Às segundas-feiras despego depois das 18h00, mas ainda tenho trabalho para mais duas horitas. Pelo que, ficando com uma espécie de ilusão de óptica, ilusão mental vá!, de que já estou de saída para um merecido serão de descanso, põe-se o pc a hibernar - o que dá tempo suficiente para inscrever a mãe numa aula de hidroginástica (porque sozinha a coisa não vai lá...), chegar a casa, cobrir o carro com um plástico (porque esta semana, até sexta, parece que não há perdão da geada), lanchar, acender a lareira, sacar de um chazinho e zungas, voltar à posição sentada, ou melhor, pseudo horizontalmente bem instalada no leito hehe, e acabar umas tarefazitas que ainda sobram. Mas que bela ilusão mental que acabei de descrever, hein?!