quarta-feira, 9 de outubro de 2013

João Só - Até ao fim



Gosto muito, muito, muito

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Eugénio de Andrade

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?...

Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.

do álbum "coisas fantásticas" :)


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Back to England




Ontem à tarde levei a minha mãe ao cinema, para ver "Diana". (Pensava que o filme era mais "interessante", acabou por ser uma brutal seca, mas sempre deu para passar uma tarde diferente e para conseguir também ir espreitar a Feira de Artesanato Urbano!). Mas ao longo do filme, ao ver vários pontos característicos de Londres e de outras partes de Inglaterra deu-me uma vontade GIGANTE de voltar. Não a Londres propriamente, mas a outras partes do país! O destino Holanda e Dinamarca que anda aqui nos meus apontamentos nunca irá ficar de posto de parte, mas a Inglaterra é de facto uma prioridade, porque tenho a certeza absoluta de que irei sempre amar! De modo que pensei assim muito por alto no mês de Junho lol Um pensamento apenas. De comboio, claro, Liverpool, zonas rurais, etc :)))))

(Acabei por não tirar fotós do repasto de ontem, mas garanto que estava um mimo!!! Arroz basmati soltinho, camarões salteados com argolas de lulas, com piripiri e alho + "guisado" de legumes, só com tomate, ervilhas, cebola e alho qb, couves de bruxelas e bacon só para dar um toque. Ah e sopinha de peixe feita num ápice, com um belo punhado de coentros!!!)

sábado, 5 de outubro de 2013

Alma



Um sábado cheio que deu para trabalhar a duas frentes. Satisfeita estou, portanto.
Um serão sem nada de especial para fazer. Conto descansar e arrumar pequenas coisas.
Amanhã sim, vai ser um dia bom. De manhã, mal posso esperar por uma sessão de culinária, ao som da rádio :) A ementa vai ser sopa de peixe e um prato composto por três partes: arroz basmati (nada do outro mundo), um pequeno guisado de legumes e uma pequena molhanda com camarões e ovo. Depois posto fotós aqui. De tarde, quero levar a minha mãe ao cinema e espreitar uma feira no parque Manuel Braga. Aproveitar o Sol.
Mais meia horita e para casa vou.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Álvaro de Campos


Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento, ...

Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Alice Ruiz

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido...

Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre.
 

sábado, 28 de setembro de 2013

Foi há um ano








 
Há um ano já estava a iniciar o percurso de volta a Portugal, numa viagem que me fez andar em dezenas de comboios, ao longo de dezenas de milhares de Km.
Uma viagem que significou muito para mim e que jamais irei esquecer.
Um plano que foi sendo delineado aos poucos, nos tempos mortos, e que foi cumprida à risca.
O lema foi "Ir. E voltar. Bem". E assim foi.
Vi paisagens de cortar a respiração, de tão bonitas. Vi gente e mais gente. Enverguei com orgulho a minha mochila com os símbolos do meu país e da minha terra. Cresci por dentro. Muito. Confiei em mim. Ri. E chorei também. Por vezes, tive pena de estar ali entregue a mim, tão longe de casa. Calcorreei caminhos, algumas vezes receosa por dentro, mas sempre convicta de que a aventura, custeada a 100% pelo meu trabalho e esforço diários, só podia ser brilhante e fazer uma espécie de milagre.
Nunca pus a opção de ir com companhia. Nunca tentei arranjar companhia. Aconteceu assim. Já escrevi aqui que revejo bastantes vezes as centenas de imagens que recolhi durante esses 15 dias desafiantes. Especialmente quando estou mais triste/ em baixo/ desanimada, elas dão uma força incrível. Julgo que também já escrevi (se não escrevi pensei diversas vezes) que esta foi talvez a "coisa" mais incrível que realizei nestes meus 31 anos e meio de vida. Espero continuar a estar à altura de realizar projectos semelhantes. Este ano, estive próximo de voltar a fazê-lo, mas acabou por não acontecer. Contudo, a vontade persiste.